A decisão de Dilma Rousseff de manter no governo um ministro
sangrando em praça pública é a opção pela agenda negativa. Desde maio,
quando estourou o caso Palocci, Dilma convive com essa agenda –
corrupção, malfeitos, escândalos.
A partir daí, com precisão de relógio suíço, caíram os ministros dos
Transportes, Agricultura e Turismo (não convém lembrar dos seus nomes
aqui, são figuras menores que ocupavam cargos relevantes). Nenhum dos
programas de governo de Dilma parecem existir – alguém aí lembra-se que
foi lançado o Brasil contra a Miséria?
Pode se argumentar que, apesar de tudo isso, sua popularidade está
nos céus. Está, sim. E o motivo é o de sempre: a economia continua
relativamente bem (mais ainda em comparação ao resto do mundo) e os
níveis de emprego e renda – termômetros fundamentais – mantêm-se em
alta. Mas neste primeiro ano de governo, a marca de um ministério fraco,
tomado por gente encrencada, se solidificou. E essa fatura pode ser
cobrada lá na frente.
Se nos casos anteriores, Dilma trocou Antônio Palocci, Alfredo
Nascimento, Wagner Rossi e Pedro Novais por ministros que até agora não
lhe trouxeram problemas, com Orlando a aposta foi bancá-lo numa
prorrogação imprevisível. Isso ocorreu em parte por que seus aliados (de
Lula ao PMDB) a criticam por ceder com facilidade “às denúncias da
mídia”.
A decisão de Dilma é, portanto, também uma estratégia – ainda que
arrriscada – para baixar o fogo da chiadeira da base governista. É uma
gente que reclama como se o problema estivesse na faxina e não na
sujeira.
A opção de Dilma, portanto, foi a de continuar a ver o Ministério do
Esporte nas manchetes e ter Orlando Silva como uma espécie de
protagonista moral do governo.
Da cartola do ministério do Esporte já saiu de tudo: fraudes
milionárias em convênios com ONGS ligadas ao PCdoB, mulher do ministro
recebendo dinheiro público, o Procurador-Geral da República pedindo ao
STF que investigue Orlando “por graves irregularidades”, fitas gravadas
mostrando cumplicidade entre assessores do ministro e um ongueiro
implicado em irregularidades. Já são dezenas de furos no casco. A
tendência é sair muito mais coelho desta cartola. E Dilma age como se o
número 1 do ministério não tivesse nada a ver com isso.
O que se verá a partir de hoje, o primeiro dia útil depois que Dilma
decidiu manter Orlando, é um Ministro do Esporte de perna quebrada
tentando exercer suas funções. E tendo que dar novas explicações para
revelações de velhos malfeitos.
Por um lado, Orlando Silva estará sendo investigado pela
Procuradoria-Geral da República. Por outro, estará tomando decisões
sobre a Copa 2014 e a Olimpíada 2016. A solução de tirar de Orlando a
caneta para assuntos importantes do ministério só evidenciará sua
condição de morto-vivo.
Nenhum comentário:
Postar um comentário