Em 2010, conversando com o atual vereador da Capital paulista, Floriano Pesaro (PSDB), que foi secretário nacional do Programa Bolsa Escola Federal com FHC e Paulo Renato, da inexistência de erros e denúncias sobre o funcionamento e os resultados dessa política compensatória de renda naqueles 21 meses de trabalho pelo Brasil. A Bolsa Escola Federal foi criada no Governo FHC para suceder o Programa de Garantia de Renda Mínima pioneiro em Campinas graças à iniciativa do saudoso prefeito Magalhães Teixeira, o "Grama". Hoje ficamos surpresos quase todos os dias com a gestão e os acontecimentos que cercam a atual Bolsa Família. Fraudes nos cadastros, inclusão de beneficiários sem direito, relaxamento da frequência escolar e até a denúncia que um bichano recebia como se fosse gente, realmente ajudam a desmoralizar o governo Lula.
Certamente petista, Eurico Siqueira da Rosa, que coordenava o programa Bolsa Família na cidade de Antonio João, no Mato Grosso do Sul, incluiu o nome do seu gato como dependente para receber R$20,00 a mais por mês. "Billy", que ganhou o registro de Billy Flores da Rosa, esteve na lista de beneficiários durante cinco meses. Descoberto o golpe, Eurico antecipou o seu afastamento da função e pediu a exoneração do cargo. O gesto foi exemplar logo após a descoberta, mas qual a explicação para isso?
Esse acontecimento tem uma dose de piada, mas é a revelação da realidade brasileira. Será que a necessidade gera desonestos e oportunistas? O Brasil estará sujeito aos espertos e seguidores fiéis da Lei de Gerson, enquanto houver fragilidade nos controles dos programas sociais do governo e o ufanismo à ignorância. Um gato de estimação pode; Filhos que existem apenas no papel também podem (esse mesmo "pai" de Billy havia inscrito outros dois filhos fictícios); Mas uma longa fila, de milhares de brasileiros pobres, continua excluída, crente em Lula, mas sem perspectiva real.
João Pedro Stédile, dirigente do Movimento dos Sem-Terra (MST), comentou uma vez que o Bolsa-Família atende 20% dos mais pobres:
"Resolve um problema social, porque essas famílias estavam na miséria absoluta; Mas de certa forma também acomoda essas famílias. O programa gerou apatia nas famílias pobres. Deveria ser um programa transitório, combinado com outro programa, que gerasse empregos".
Assino embaixo dessa defesa de Stédile, retomo a defesa da necessidade transformadora desse programa, da compensação, da entrega do peixe ao mesmo tempo em que se ensina a pescar, para o caráter emancipatório, de resgate da cidadania e da sobrevivência. Sinceramente eu não creio (leia-se "não quero crer") que outros gatos estejam matriculados para receber essa contribuição dos nossos bolsos-cidadãos, mas é lastimável ficar sujeito ao desgoverno social, justamente porque parece o contrário.
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